Para ler NO Deserto

“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; porque tu ouviste, naquele dia, que estavam ali os anaquins, bem como cidades grandes e fortificadas. Porventura o Senhor será comigo para os expulsar, como ele disse.”(Josué 14:12)

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pare e pense

PEQUEI!
Em II Samuel 11 e 12 encontramos a narrativa detalhada sobre o pecado de Davi com Bate-Seba e a repreensão feita pelo profeta Natã. Um texto provocativo, arrepiante, doloroso e profundamente humano, feito para mim, pecador. Dois nomes estão intimamente ligados a Davi: Golias e Bate-Seba. Mesmo quem não tem um conhecimento mais amplo dos textos sagrados facilmente associa um ao outro nesse círculo perigoso entre a glória e o sexo.

Ambos levaram Davi ao campo de batalha. Ambos tiveram acesso ao coração de Davi. O gigante e a mulher entraram na história de Davi em extremos opostos: Golias aparece quando Davi é jovem e inexperiente; Bate-Seba, quando ele é um rei e experiente. Quando Davi encontra Golias, ainda não está atrelado aos mecanismos do poder, ainda respira o ar do pastorado singelo. Quando encontra Bate-Seba, sua vida está integrada às engrenagens do trono, aos desmandos imperiais. Aliás, percebemos grandes mudanças nesse tempo entre o gigante e a cama oculta.

Em Deuteronômio 17. 14-17, Deus dá uma série de diretrizes para quando Israel tivesse um rei, dentre essas diretrizes há alguns lembretes sobre não acumular "mulheres, cavalos e dinheiro", a receita infeliz do fracasso de um sucesso: dinheiro, poder e sexo. As tramas que engoliram Davi. Ele vencia inimigos, subjugava nações, mas sucumbiu à tríade implacável: dinheiro, poder e sexo. Ele evitou o primeiro, foi tocado pelo segundo, mas o terceiro roubou seu coração.

Um olhar fez o que Golias não conseguiu: derrubou Davi. Dietrich Bonhoeffer, em seu livro "Tentação", diz: "Em nossos membros há uma inclinação adormecedora na direção do desejo que é tanto repentina quanto feroz. Com poder irresistível, o desejo detém domínio sobre a carne. De repente, um fogo secreto, efusivo, é aceso. A carne queima, e ei-la em chamas! Neste momento Deus é muito irreal para nós... e o único desejo para a criatura é real... Satanás aqui não nos enche com ódio de Deus, mas com esquecimento de Deus... A luxúria assim envolve a mente e a vontade do homem em escuridão profunda. Os poderes do claro discernimento e da decisão nos são tirados. É aqui que tudo dentro de mim ergue-se contra a Palavra de Deus".

Davi passa a utilizar os mecanismos do poder. Usa fraudes. Abusa do verbo "mandar": manda Urias dormir com Bate-Seba, a fim de que todos sejam envolvidos nas teias do engano. Essa insistência em "mandar" retrata o uso impessoal do poder. Walter E. Brown, estudioso do A. T. observou bem o uso desse verbo: "mandar". Duas outras ocorrências do verbo na história, sutilmente nos preparam para a verdade de que Davi, em todo o exercício de seu poder impessoal, não estava no controle, como supunha: Bate-Seba "mandou" um recado: "estou grávida" (II Sm. 11. 5), e Joabe "mandou" um relatório da batalha (v. 18 ss), dando a entender, pela mensagem, que sabia perfeitamente o que Davi estava fazendo. No último e decisivo "mandar" dessa história, é Deus que entra em cena: "mandou/enviou a Davi o profeta Natã" (II Sm. 12. 1).

A raiz de todos os pecados está relacionada à nossa vontade de ser deus, assumir o controle da nossa vida e da vida dos outros: mandar! Quando Natã repreende a Davi, a frase bíblica é decisiva: "Este homem é você!" (II Sm. 12. 7). O pecado nunca é sobre outra pessoa; é sempre sobre mim! Nunca é uma verdade genérica, mas sempre específica. O pecado nunca é um comentário sobre ideias, culturas ou condições; mas sempre sobre pessoas de verdade, de carne e osso, dor de verdade, problemas reais, pecado mesmo: é sempre sobre mim!

É perfeitamente confortável transformar o pecado num pronunciamento religioso genérico. Isto é o que Davi estava fazendo: ouvindo Natã pregar um sermão sobre o pecado de alguém e se indignando com a conduta alheia, a condição de uma outra pessoa. É para isto que servem os profetas: eles nos jogam para o centro da história: é sobre mim! Quando"a ficha cai" Davi dá um brado: "Pequei!" (II Sm. 12. 13). Quebram-se as abrangências gerais da religiosidade que julga. O rei está no banco dos réus! Culpado!
Nossa tarefa prioritária na vida cristã não é evitar o pecado, pois isso é impossível, mas reconhecê-lo, pois isso nos leva até à graça! O Salmo 51 é escrito depois da visita de Natã. Ainda hoje repito essa oração: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo" (Sl. 51, 10 e 11).


Até mais...


Alan Brizotti
Fonte: http://alanbrizotti.blogspot.com/

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