Para ler NO Deserto

“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; porque tu ouviste, naquele dia, que estavam ali os anaquins, bem como cidades grandes e fortificadas. Porventura o Senhor será comigo para os expulsar, como ele disse.”(Josué 14:12)

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sábado, 20 de novembro de 2010

Pare e pense

Tentando entender como maus cristãos transformaram Jesus em "Deus dos Poderosos"

Como foi possível, historicamente falando, pegar a mensagem de Paz, Amor, Harmonia e União de Jesus e transformá-la em mensagem de ódio, preconceito, discriminação, enfim, como foi possível inverter uma mensagem de consolo, conforto, paz e esperança aos humildes e necessitados em ferramenta de opressão?

Para tentarmos entender, inicio uma série de considerações históricas. Rogo a clemência do leitor/espectador eventual para com esta minha primeira incursão diante de uma câmera...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pare e pense

LÍDERES NÃO SÃO MAIORES QUE A GRAÇA DE DEUS


“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”(1Coríntios 10:12)
Geremias do Couto
Ah, se todos nós, que somos considerados líderes, tirássemos as nossas máscaras e vivêssemos o discipulado em sua forma simples e bíblica. Ah, se abríssemos mão de certos caprichos, vaidades, presunção, arrogância, orgulho, farisaísmo, ostentação e viéssemos para a planície. Quanto ganhariamos! E a igreja também! Não generalizo, mas uso a linguagem da inclusão ao pensar que muitos de nós estamos de fato incorrendo nessa gravíssima falha. Sei que o desenvolvimento pessoal é parte do nosso crescimento. Mas considerar tudo o que conquistamos como esterco (tem lá o seu valor) é um dos princípios da vida cristã. 

O que está em cena, aqui, não são as nossas conquistas em si mesmas, mas o pedestal, a glória humana, a fantasia, a hipocrisia, o aplauso e a consequente perda de referenciais. Achar que somos tudo, quando, na verdade, nada somos. Ou passar uma falsa humildade, que, no fundo, pretende que as pessoas olhem para nós e digam: "vocês são mesmo os tais!" Esse é o cerne. Quantas vezes pregamos e, ao final, nos sentimos frustrados, quando as pessoas não nos procuram para "elogiar" a nossa pregação! Quantas vezes chegamos de propósito atrasados ao culto para que a assistência nos olhe com admiração e, se não pode falar alto, pelo menos pense ou cochiche: "Está chegando o pregador!" Esse é o ponto. 

Infelizmente, trazemos para a nossa realidade da fé um pouco (ou muito?) da herança católica que faz o povo olhar para os seus líderes como infalíveis. Estes, por sua vez, vestimos a farda com muita facilidade. A partir disso, passamos a ser os reis da cocada preta (sem racismo, por favor. Pode ser branca também!). Até na forma de andar, gesticular ou fazer alguns trejeitos, expomos a aura da infalibilidade que tanto massageia o nosso ego. Não conseguimos ser simples, e, se tentamos aparentar simplicidade, fazemos de maneira tão afetada que logo transparece a prepotência. Como neste conhecido bordão: "Fulano é tão humilde que tem orgulho da sua humildade".


Só que a casa cai. Não há arrogância que dure para sempre. De tempos em tempos, para a nossa tristeza (e também aprendizado), surge uma nova notícia, dando conta do fracasso de um líder, que muitos o tinham como o grande referencial e o tratavam, não com o respeito que todos merecem, mas com idolatrada veneração. Podemos chegar a este ponto, quando perdemos os nossos limites. Quando achamos que não temos de prestar contas a ninguém. Quando nos colocamos no pedestal acima dos "simples mortais". Quando não nos reconhecemos como o principal dos pecadores, à semelhança de Paulo. Quando deixamos de olhar as "nossas justiças como trapos da imundícia". Quando achamos que somos maiores do que a graça de Deus. Quando o pecado torna-se apenas um detalhe que não nos importa em nosso dia a dia. Quando, por confiar em nossa autossuficiência, não buscamos ajuda em nossos momentos de fragilidade.

Creio que Deus permite a exposição de alguns dentre nós, trazendo à tona todos os apetrechos escondidos no seu coração, para que o povo perca essa visão "divinizada" da liderança, e nós, que somos tidos em tal condição, possamos humildemente dizer como João Batista: "É necessário que ele cresça e que eu diminua", ou como Paulo: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Ao contemplarmos tais situações, por outro lado, nossa atitude deveria ser a de vestir-nos de sacos e assentar sobre as cinzas para chorar os nossos pecados pessoais e coletivos, orar pela restauração de quem está sendo tratado pelo Senhor e, com inteireza de coração, nos expormos aos braços amoráveis do Pai para deixar de ser sustentados pelas nossas próprias pernas.

Líderes são necessários na igreja desde os primeiros dias do Cristianismo. Atos dos Apóstolos descreve a sua existência. As epístolas tratam de forma clara o assunto. Mas não formam casta especial. Privilegiada. Com alguns galões que possam distingui-los dos demais crentes em sua relação com Deus. Não são pequenos deuses para ser glorificados pelos homens. São modelos, inclusive na fraqueza, para que possam pelo exemplo mostrar aos que lideram, no mesmo nível, que só pela graça - unicamente e apenas pela graça - sem qualquer outro privilégio, podem superar as falhas e buscar a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. E aí todos saberão que ninguém é melhor do que ninguém ou ocupa lugar especial à direita ou a esquerda do trono de Deus.

Somos humanos, fracos, faliveis, necessitados, dependentes, incapazes em nós mesmos, para os quais o Senhor, que enfrentou todas as nossas fraquezas em sua humanidade, pode dizer: "A minha graça te basta".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pare e pense

A GRAÇA DA AMNÉSIA
Dálton Curvello
“Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus. É claro, irmãos, que eu não penso que já consegui isso. Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente. Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus. Todos nós que somos espiritualmente maduros devemos ter essa maneira de pensar. Porém, se alguns de vocês pensam de maneira diferente, Deus vai tornar as coisas claras para vocês.” (Filipenses 3:12 a 15)

Amnésia, segundo Wikipédia é a perda de memória (total ou parcial). A Graça da Amnésia é a capacidade de voluntariamente “esquecer aquilo que fica para trás”, avançando para o que está à frente. Parece estranho?
Paulo escrevia aos Filipenses,  e neste capítulo três ele afirma que Nós adoramos a Deus por meio do seu Espírito e nos alegramos na vida que temos em união com Cristo Jesus em vez de pormos a nossa confiança em cerimônias religiosas”, complementa que Tudo o que eu quero é conhecer a Cristo e sentir em mim o poder da sua ressurreição. Quero também tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, com a esperança de que eu mesmo seja ressuscitado da morte para a vida, e conclui afirmando que não está querendo dizer que já conseguiu, e lembra que sua preocupação é esquecer aquilo que ficou para trás, fixando-se em seu objetivo final.
Qual a sua situação? Eu conheço pessoas que tiveram um momento incrível, um encontro real com o Senhor, algo mesmo sobrenatural. E então, passaram a eternizar aquele momento único, vivendo como que presos ‘aquele momento. Sua vida espiritual literalmente vive de um passado cada vez mais distante, e para piorar, ainda ficam tentando reproduzir novamente aquelas circunstâncias. Me fazem lembrar Erasmo Carlos, que após a Jovem Guarda permanece até hoje como se preso numa cápsula do tempo. Se este é o seu caso caro leitor, receba a Graça da Amnésia. Por mais lindo, único e sobrenatural que tenha sido a sua experiência, siga em frente! Deus quer que você VIVA novas experiências com ele, em Marcos 9 vemos os discípulos desejosos de construir tentas no monte da transfiguração, para se fixar ali e eternizar aquele momento. Deus não permitiu. Deus quer te mostrar o futuro, não que você viva do passado, por melhor que ele seja.
Conheço também pessoas que foram feridas, que sofreram traições, decepções, e que parecem também querer preservar cuidadosamente essa ferida. Não têm futuro, apenas passado, e doloroso, como fazem questão de mostrar em todo o tempo. Essas feridas abertas trazem dor para a pessoa e muitos que a cercam. Ao invés de “virar a página”, seguem pelo mundo como mortos-vivos, como se carregassem consigo um macabro álbum de recordações dolorosas, que fazem questão de rever a cada instante. Se esse é seu caso, caro leitor, receba também a Graça da Amnésia!
Quando Paulo diz “esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente”, é exatamente isto. Não importa se foi muito lindo, já passou! Não muda nada se foi algo terrível, já passou! Bênção é poder se esquecer, seguir em frente, fabricar novos momentos, que podem ser bons ou ruins, virórias excelentes ou derrotas homéricas, mas serão apenas mais alguns passos em direção ao nosso objetivo final. Você aceita o desafio?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pare e pense

Atende ao meu clamor; porque estou muito abatido. Livra-me dos meus perseguidores; porque são mais fortes do que eu.(Salmos 142:6)


OS QUE NOS PERSEGUEM

José Humberto Júnior
À medida em que vamos amadurecendo na fé e caminhando com Jesus, percebemos que o nosso principal desafio como cristãos não é a compreensão da forma de agir de Deus, nem o discernimento de como funciona o mundo espiritual. Logo que os nossos olhos espirituais são abertos, compreendemos o amor de Deus, a sua misericórdia, a sua graça. Entendemos facilmente também que existe um inimigo, na espreita, louco para achar uma brecha e detonar com a nossa vida. 

O maior desafio do cristão diz respeito às pessoas, a forma como nós nos relacionamos com elas, aos desgastes, aos conflitos, aos confrontos. Não é para menos. É exatamente nesse ponto que toda a nossa pregação é colocada a prova, o nosso discurso de ser cristão é testado e a nossa alma é confrontada com a necessidade de se viver uma realidade espiritual voltada para as pessoas. Esse é o momento da coerência e, não se engane, é através dela que conseguiremos conquistar autoridade. Por meio de uma vida coerente é que as pessoas passarão a ouvir o que nós temos a dizer. O seu nível de influência começa a aumentar porque os outros veem que o que você fala, funciona.

No dia-dia ouvimos muita gente dizer que "o problema do meu negócio são as pessoas". Dizemos isso, para não dizer que, a nossa vontade é eliminar todo mundo e trabalhar sozinhos. Só não fazemos isso porque não damos conta de tocar tudo sozinho. Assim, as pessoas passam a ser vistas como "um mal necessário".  Mas nos esquecemos que na verdade, o foco de Deus são as pessoas e não o negócio. É difícil para nós convivermos com aqueles que nos dão trabalho, que são complicados, que nos perseguem. E muitas vezes é uma perseguição que não se dá no sentido literal da palavra. Ela não se mostra às caras, mas veladamente através de ciúmes, inveja, suspeição do mal e dúvidas dos outros em relação ao nosso coração.

É difícil convivermos com essas pessoas e o senso comum diz que a melhor receita para isso é mantermos distância - a geográfica e a relacional. Mas quando lembramos da nossa verdadeira e absoluta identidade, sabemos que não é assim. O fato de sermos cristãos, significa que o compromisso que fizemos com Cristo deve, inegavelmente, se traduzir em um compromisso com as pessoas. É tomar sobre nós a vida de Dele e ser como ele foi. E nesse ponto, o mestre tem o que nos ensinar.

Jesus esteve durante todo o tempo do seu ministério com um homem que o perseguia, e que o entregaria, com um beijo. Ele era seu discípulo, amigo, companheiro de jornada. Não foi Judas que escolheu caminhar com Jesus. Foi o mestre que decidiu e escolheu caminhar ao lado do seu "inimigo". Jesus não suspeitava da maldade de Judas, ele tinha certeza. Ela não contava com uma possibilidade do Iscariotes "pisar na bola", já era certo. Foi esse homem que o mestre levou para a mesa junto com ele. Foi Judas o homem com quem Jesus repartiu o pão. Assim como fez com os outros discípulos, Cristo trouxe o traidor para a mesa do amor e repartiu com ele a sua intimidade. E a última palavra de Jesus a esse homem é "Amigo, a que vieste?" Do lado de Jesus a corda não roeu. Pelo outro lado é que roeu. Até o derradeiro momento Jesus amou Judas e não desistiu dele porque isso representava um compromisso, não uma conveniência.

Por muito menos do que tudo isso que Jesus passou, afastamos as pessoas de nós, basta elas nos incomodarem um pouco. Quando há uma mínima suspeita sobre a conduta de alguém, isso já é suficiente para nos distanciarmos delas. Essas pessoas não precisam da nossa distância, da nossa frieza, mas necessitam desesperadamente de ver em alguém a revelação, a expressão e a misericórdia do amor de Deus. A única esperança para o mundo é experimentar uma porção desse amor. "Pague o mal com o bem".

Creio cada dia mais que, o nosso esforço não deve ser o de evitar pessoas e situações desegradáveis na nossa vida, mas sim, aprendermos a conviver e administrar essas situações e pessoas, quando elas aparecerem na nossa vida. Não devemos ficar reféns daquilo que pode nos prejudicar e tentar evitar a todo custo que essas coisas não aconteçam. Até porque em um determinado momento elas irão acontecer. E aí o que vai fazer toda diferença é se você estará preparado para lidar com as condições adversas.

Guarde o seu coração em relação a isso. Seja forte como um touro para enfrentar as adversidades, mas também simples e ingênuo como uma pomba para viver uma vida livre.

No amor daquele que não prometeu um mar de rosas, mas vitória,

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pare e pense

AS MÁSCARAS DO FALSO CRISTIANISMO

Palavras como disfarce, imitação ou cópia são conhecidas de todos. Também no cristianismo há pessoas que se dizem “cristãs”, mas no fundo não o são.

Há muitas coisas falsas, quase idênticas às verdadeiras, difíceis de distinguir das genuínas, como roupas, relógios, joias, quadros, tapetes, etc. Precisamos de especialistas que consigam diferenciar entre o verdadeiro e o falso com base em detalhes mínimos.

Também no cristianismo há imitações, disfarces, cópias, cristãos que parecem verdadeiros e, no entanto, são falsos. Isso é ilustrado de forma clara na parábola das dez virgens (Mt 25.1ss): exteriormente, as cinco virgens néscias eram muito parecidas com as sábias, exceto pelo fato de que lhes faltava o óleo (um símbolo do Espírito Santo que habita nos salvos). Muitos vivem uma vida cristã porque são levados pela corrente do cristianismo que os cerca. Seu ambiente é cristão e por isso eles também o são.

Não quero que esta mensagem roube a certeza da salvação de ninguém que tenha no coração essa convicção pelo testemunho do Espírito de Deus. Além disso, tenho certeza de que um cristão espiritualmente renascido não pode se perder (Hb 10.10,14). Mas também não quero que alguém ponha sua confiança em uma falsa segurança, em algo que nem mesmo existe.

Às vezes, admiramo-nos quando pessoas, que eram consideradas cristãos autênticos, de repente se desviam da fé e não querem ouvir mais nada a respeito de Jesus e da obra que Ele realizou na cruz do Calvário, chegando até mesmo a negá-la. O apóstolo João também passou por essa experiência dolorosa, descrita em sua primeira carta: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1 Jo 2.19).

A Bíblia não esconde o fato de que além do cristianismo verdadeiro, legítimo, renascido da “água e do espírito”, há também um cristianismo aparente, formado por “cristãos” que não estão ligados a Jesus, não estão enraizados nEle, não vivem nEle e por Ele. Mesmo que tudo pareça legítimo, eles não passam de uma imitação. É desses “cristãos” que Paulo fala ao escrever a Timóteo, em sua segunda carta: (2 Tm 3.5) “...tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

No século VII antes de Cristo, na época do profeta Jeremias, havia dignitários religiosos meramente nominais. Ouvimos o lamento de Jeremias: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (Jr 2.8).

Mesmo um cristão meramente nominal pode apostatar da fé. Quem com sua boca confessa ser cristão, mas não pratica o cristianismo no dia-a-dia, precisa aceitar que outros lhe perguntem se não está enganando a si mesmo.

Não é exatamente isso que vemos hoje? Muitos teólogos abandonaram a fé bíblica e correm atrás de convicções que não servem para nada. Eles se abriram para religiões e correntes espirituais que não têm absolutamente nada a ver com Jesus Cristo. Isso também já aconteceu na época em que o povo de Israel peregrinou pelo deserto.

Depois de ter louvado a grandeza e a soberania de Deus (Dt 32.3-4), Moisés emendou uma declaração sobre os infiéis: “Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração perversa e deformada” (v.5). Portanto, realmente é possível que aqueles que não são Seus filhos se tornem infiéis a Ele.

Quem carrega em si o testemunho do Espírito Santo a respeito de seu novo nascimento (Rm 8.16) deve alegrar-se com essa certeza e agradecer a Jesus Cristo por ela.

Mas quem não possui esse testemunho inconfundível do Espírito Santo e ainda assim pensa ser cristão, está sujeito a um grande engano. Mas hoje esses “cristãos”, e qualquer pessoa que queira ser salva, pode alcançar a certeza da salvação, se converter-se de forma muito séria a Jesus Cristo. Então, por que esperar mais?

Norbert Lieth – via ASSEM-BEREIA DE DEUS

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pare e pense

TRANSPIRAR PARA NÃO PIRAR !

Hermes C. Fernandes
Muitos alegam que o Reino de Deus na Terra não passa de uma utopia. Por isso, preferem manter os braços cruzadas à espera do céu. Outros acreditam que basta proclamar a chegada do Reino, e pronto! As coisas vão se ajeitando por si mesmas. Ledo engano! A proclamação deve ser seguida de ação.
Adão recebeu de Deus um mundo paradisíaco, porém, tinha que trabalhar para mantê-lo assim. Nós recebemos uma herança assolada, e temos que arregaçar as mangas, trabalhar e transpirar muito, até que esta herança seja restaurada.
Veja o que o próprio Deus diz por intermédio de Isaías:
“Assim diz o Senhor: No tempo favorável te ouvirei, e no dia da salvação te ajudarei, e te guardarei, e te darei por aliança ao povo, para RESTAURARES A TERRA, e lhe dares em herança as HERDADES ASSOLADAS” (Is.49:8).
Esta passagem fala da missão que o Pai confiou a Jesus, dando-Lhe por aliança ao povo, com a finalidade de restaurar a Terra, não de destruí-la como imaginam alguns. As nações Lhe foram entregues por herança (Sl.2:8), porém, uma herança assolada. Ruínas, nada mais que ruínas. Reergue-las vai custar muito trabalho.
A mesma passagem que diz: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar as boas-novas aos pobres”, também diz que estes mesmos para os quais houver sido pregado o Evangelho “reedificarão as ruínas antigas, e restaurarão os lugares há muito devastados; renovarão as cidades arruinadas, devastadas de geração em geração” (Is.61:1a,4).
A proclamação do Evangelho deve provocar esse tipo de mobilização. As pessoas devem ser constantemente desafiadas a deixarem seu comodismo, e se engajarem na luta pela transformação do mundo.
Tal transformação provavelmente demandará várias gerações. Por isso se diz: “Os que de ti procederem edificarão os lugares antigamente assolados, e levantarás os fundamentos de geração em geração”(Is.58:12a).
Uma geração lança os fundamentos, a outra edifica sobre ele. Portanto, cabe a uma geração preparar o caminho para as que virão. Se uma geração abre a estrada, a próxima a pavimenta, e que vem em seguida a sinaliza. Ninguém conseguirá dar conta de tudo sozinho. Um planta, outro rega, porém Deus dá o crescimento.
Deve-se sempre criar uma expectativa em cima do que virá depois, como Jesus fez com os Seus discípulos, ao afirmar que eles fariam obras ainda maiores do que as d’Ele (Jo.14:12).
Se a geração dos pais for sonhadora, a geração dos filhos será visionária. É sobre isso que profetiza Joel: “E depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Joel 2:28). Os pais sonham, os filhos vêem. Os pais arquitetam, os filhos edificam.
Imaginar que podemos consertar o mundo em nossa geração é uma utopia. Por isso muitos se desanimam de lutar, e preferem deixar as coisas como estão, conformando-se a elas, em vez de trabalhar por sua transformação.
Alguns acham que a transformação do mundo é trabalho exclusivo de Deus. Esquecem-se de que “somos cooperadores de Deus” (1 Co.3:9).
Outros usam a doutrina da graça como desculpa e justificativa para sua inércia e ociosidade. A graça nos inspira a transpirar. Sem a inspiração da graça, nossa transpiração será em vão. E sem a disposição para transpirar, estaremos recebendo a graça de Deus em vão.
Eis a exortação apostólica:
“E nós, cooperando com ele, também vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão” (2 Co.6:1).
Quem disse isso tinha moral para cobrar de seus companheiros de jornada. Em outra passagem, Paulo dá testemunho: “...a sua graça para comigo não foi vã. Antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Co.15:10).
Receber a graça em vão é ser inspirado por ela, mas não se dispor a transpirar. Há uma herança assolada a ser restaurada. Uma sociedade em frangalhos a ser transformada. Quem se dispõe a colocar a mão na massa?
Não basta tomar a iniciativa; nadar, nadar, e morrer na praia. Mesmo que os resultados que esperamos não venham em nossos dias, eles certamente virão, se tão somente não desfalecermos. É o mesmo apóstolo quem nos garante: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co.15:58). E em outra passagem, ele complementa: “E não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gl.6:9).
Se não formos nós a colhermos, os que vierem depois colherão os resultados de nosso árduo trabalho. E assim, deixaremos para os nossos filhos um mundo melhor do que o que recebemos de nossos pais.

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