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“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; porque tu ouviste, naquele dia, que estavam ali os anaquins, bem como cidades grandes e fortificadas. Porventura o Senhor será comigo para os expulsar, como ele disse.”(Josué 14:12)

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pare e pense

CRENTES MANIPULÁVEIS

Tenho refletido a respeito do fenômeno contemporâneo profetizado pelo apóstolo Paulo há quase dois mil anos:“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos” (2Tm 4.3). Fico me perguntando por que existe tanta gente disposta a ouvir bobagens travestidas de verdades divinamente reveladas.
Cheguei a algumas conclusões. Encontrei pelo menos quatro razões pelas quais os contadores de fábulas estão levando vantagens sobre os profetas e mestres:ignorância, cobiça, culpa e desespero
Por mais estranho que pareça, não creio que a ignorância seja a causa principal. A verdade é que pessoas esclarecidas são facilmente manipuladas quando se tornam presas da culpa, da cobiça e do desespero. Claro, não tenho dúvidas quanto à necessidade de ensinar, oferecer referenciais objetivos para reflexão, apresentar argumentos lógicos para defesa da fé. Tenho percebido, contudo, que há um ponto a partir do qual a pessoas já não ouvem com razão, mas com o coração. Sim, aquele mesmo coração enganoso e desesperadamente corrupto como o descreveu o profeta Jeremias, é ele mesmo que as pessoas culpadas, gananciosas e desesperadas utilizam para desenvolver seu ouvido seletivo.
O tratamento bíblico para culpa é o arrependimento e a confissão: admitir o pecado, concordar com o veredicto de Deus e mudar de idéia, atitude ou comportamento. Confessar é, então, ouvir Deus dizer: “Você é ladrão”; e admitir: “Sim, Senhor, sou ladrão”. Arrependimento é mudança de rumo. É ouvir Deus perguntar: “E vai continuar roubando?”; e responder: “Não, Senhor, não vou continuar roubando”. Em outras palavras, libertar-se do peso da culpa implica transformação pessoal. Mas sei que uma oferta financeira, uma bajulação ao guru espiritual ou um sacrificiozinho semanal custa mais barato e dói menos do que a transformação mediante o arrependimento e a confissão.
Costumo distinguir cobiça, ambição e ganância. Ambição é querer mais. Ganância é nunca estar satisfeito. Cobiça é querer o que não é legítimo. Não vejo nada de errado na ambição. Afinal, não devemos nos contentar com as migalhas, quando Deus nos promete uma mesa posta, unção com óleo e cálice transbordando. Já a ganância é perniciosa. Pessoas insatisfeitas não são gratas, pois nunca desfrutam o que têm, uma vez que tudo quanto enxergam é o que não têm. A cobiça, no entanto, é pior. Ela estimula a posse por usurpação, acessa o que é alheio, se agarra ao que não é permitido. Por serem irmãs, a cobiça e a inveja andam sempre juntas. Querer sempre mais já é péssimo – imagine, então se deixar consumir pelo desejo daquilo que Deus jamais prometeu e até mesmo proibiu.
O coração vazio de Deus é um buraco negro, um bicho come-come insaciável que perde a noção do bom senso e se ilude com promessas inescrupulosas dos marqueteiros da fé, que sabem se valer da gula existencial dos insatisfeitos crônicos. De fato, participar da corrente de intercessão e súplica, jejuar alguns dias seguidos, aumentar o valor da oferta financeira para compensar a falta de fé é muito mais fácil do que aprender a viver feliz em qualquer situação. Dormir na esperança, ainda que ilusória, de um dia possuir, é menos penoso do que aprender a estar satisfeito em qualquer situação.
E o desespero? O desespero é resultado da dor profunda, do sofrimento excessivo, da sensação de morte, da iminência da tragédia. Pessoas nessas condições estão dispostas a qualquer coisa. Pagam qualquer preço. Poucas coisas custam tão caro e estão tão valorizadas no mercado quanto a solução imediata. Poucas indústrias são tão rentáveis quanto a da promessa do alívio instantâneo. E não são poucos os que estão capitalizando em cima dessa ferida aberta da sociedade. Até porque o alívio imediato e a solução instantânea possuem atrativos que nem se comparam a processos de transformação interior, geralmente longos e doloridos, porém com frutos perenes.
Não tenho dúvidas: a fórmula para a manipulação das massas possui doses de ignorância, culpa, cobiça e desespero.

Referência Bibliográfica:
KIVITZ, Ed René. Outra Espiritualidade: fé, graça e resitência. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2006.

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