Para ler NO Deserto

“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; porque tu ouviste, naquele dia, que estavam ali os anaquins, bem como cidades grandes e fortificadas. Porventura o Senhor será comigo para os expulsar, como ele disse.”(Josué 14:12)

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sábado, 19 de junho de 2010

Pare e pense


Celebrando a Unidade




“Então, profetizei conforme a ordem recebida. Enquanto profetizava, houve um grande barulho, um som de chocalho, e os ossos se achegaram, cada osso com o seu osso”. Ezequiel 37:7 

Esse texto é parte da narrativa de um dos episódios mais conhecidos e compartilhados pelos cristãos. Aquele em que o profeta Ezequiel é desafiado por Deus a profetizar sobre um vale de ossos secos. Um acontecimento instigante e desafiador, rico em figuras e elementos que revelam o propósito de Deus para com Seu povo, a eficácia do Seu poder operando em nós, conosco e através de nós, e que os impossíveis dos homens são possíveis a Deus. 


Na seqüência dos acontecimentos narrados por Ezequiel, este primeiro ato, que fala da “dança dos ossos”, me desperta uma atenção especial. Trata-se dos primeiros sinais perceptíveis da grande revolução que Deus quer gerar entre nós, para que cheguemos à condição de plenitude em que, sendo totalmente cheios do Seu Espírito, passemos a testemunhar, como filhos do Seu poder, Suas virtudes reveladas em nós. Como foi no Pentecostes, esse movimento do Espírito é marcado por um grande rebuliço, que chama a atenção por ser visível audível e dinâmico. Algo que vem do alto e descompõe uma ordem previamente estabelecida. Uma nova forma de organização que começa desorganizando a anterior.

Aqui está um dos desafios deste texto. Geralmente, quando nós pensamos em organizar, temos tendência a uma perspectiva estática de organização. Um tipo de arranjo que mantém as coisas sempre no seu devido lugar. Sendo assim, não haveria nada mais organizado do que um cemitério. Os anos passam e as “coisas organizadas” continuam lá, do mesmo jeito e no mesmo lugar em que as deixamos. 

Aliás, nós nos sentimos mais seguros se continuar sempre assim. 

Nesse sentido, quando o texto diz que: “os ossos se achegaram, cada osso com o seu osso”, por comodidade, tradicionalismo e religiosidade, nós podemos ser levados a pensar e estabelecer uma forma equivocada de organização: ajuntar os ossos por sua aparência, forma e tamanho. Um sistema organizacional objetivo em que prevalecem aqueles aspectos que podem ser medidos e comparados. Gavetas ou nichos etiquetados para as tíbias, os perônios, as falanges, os fêmures, as omoplatas e por ai afora. Tudo no seu devido lugar, marcado e definido. 

Contudo, o que essa afirmação nos revela é outro tipo de organização mais subjetiva e de medidas invisíveis. Uma organização de conotação dinâmica e não estática, em que os aspectos funcionais e vocacionais são mais relevantes do que os plásticos e estéticos. Assim, os ossos são retirados de suas “gavetas de repouso” e reunidos segundo uma nova ordem: cada osso com o seu osso. A estrutura funcional faz com que o osso de cada osso não seja necessariamente igual, mas que sejam relevantes um ao outro no desempenho da sua função. Eles deixam os de mesma forma para se juntar aos de outra forma.

Outra figura, bem mais rotineira e cotidiana, que nos ajuda a compreender isso são os talheres que usamos à mesa. Quando são retirados da mesa e levados para o seu repouso, são colocados em “jazigos” de descanso. Garfo com garfo, faca com faca, colher com colher jazem ali, aguardando a sua “ressurreição”, em que retornarão à vida, à oportunidade e ao privilégio de cumprir seu verdadeiro propósito e vocação. Então, quando são colocados à mesa, eles “ressuscitam”. Saem de suas sepulturas deixando para trás suas preferências pelas igualdades e vão celebrar suas diferenças. À mesa são, enfim, garfos, facas e colheres, juntos, cooperando uns com os outros, em perfeita harmonia e comunhão. Suas diferenças não são mais motivo de constrangimento, divergência ou separação, pois se complementam. Não há razão para comparações, pois elas seriam, no mínimo, impróprias e inoportunas. Sua plástica e composição estética não são tidas como extravagantes, porque são funcionais, condizentes com a sua identidade e propósito.  Assim, quando colocamos a mesa, aqueles que poderiam ser inimigos uns dos outros ou, pelo menos, estranhos e indiferentes uns aos outros, passam a ser a melhor companhia um do outro. Encontram o melhor de si mesmos, e o seu verdadeiro lugar no banquete, na medida em que cooperam entre si. Com certeza, não vamos experimentar as ações revolucionárias e transformadoras de Deus em nós, a não ser que nos deixemos levar por esse vento de aparente desorganização. Estaremos condenados a sermos inúteis e infrutíferos, se insistimos em permanecermos tão “embandeirados” em nossas igualdades, por mais que isso pareça ser o mais cômodo e seguro. A verdadeira segurança está em experimentarmos esse “rebuliço santo” em nossas vidas. Algo que nos abale e que nos arranque de nossas sepulturas de repouso e proteção, nos colocando à mesa. 

 

Escrito por: Pr. Paulo Jr

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